
Desce por fim sobre o meu coração
O olvido. Irrevocável. Absoluto.
Envolve-o grave como véu de luto.
Podes, corpo, ir dormir no teu caixão.
A fronte já sem rugas, distendidas
As feições, na imortal serenidade,
Dorme enfim sem desejo e sem saudade
Das coisas não logradas ou perdidas.
O barro que em quimera modelaste
Quebrou-se-te nas mãos. Viça uma flor...
Pões-lhe o dedo, ei-la murcha sobre a haste...
Ias andar, sempre fugia o chão,
Até que desvairavas, do terror.
Corria-te um suor, de inquietação...
..entre penumbra e devaneios...
O grito do amor fere o ouvido do desejo
-Vai pobre alma
à procura de tudo e deparaste com o nada.
Nossa sede infinita só compreenderás...
no momento em que o desejo pelo sangue nao conseguirás esconder
quando apenas nas trevas, como um filho, clamarás...
E o gozo do beijo, então lhe entorpecer.
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