segunda-feira, agosto 23, 2010




Desce por fim sobre o meu coração
O olvido. Irrevocável. Absoluto.
Envolve-o grave como véu de luto.
Podes, corpo, ir dormir no teu caixão.

A fronte já sem rugas, distendidas
As feições, na imortal serenidade,
Dorme enfim sem desejo e sem saudade
Das coisas não logradas ou perdidas.

O barro que em quimera modelaste
Quebrou-se-te nas mãos. Viça uma flor...
Pões-lhe o dedo, ei-la murcha sobre a haste...

Ias andar, sempre fugia o chão,
Até que desvairavas, do terror.
Corria-te um suor, de inquietação...




..entre penumbra e devaneios...

O grito do amor fere o ouvido do desejo

-Vai pobre alma

à procura de tudo e deparaste com o nada.


Nossa sede infinita só compreenderás...

no momento em que o desejo pelo sangue nao conseguirás esconder

quando apenas nas trevas, como um filho, clamarás...

E o gozo do beijo, então lhe entorpecer.