Alguma voz gritava que eu devia parar... Mas eu não ouvia... Alguma voz, dizia para que eu fechasse meus olhos por segundos vagos e voltasse atrás...Eu dei um tiro nessa voz.
A mesma voz maldita que me tirava da escuridão.
Trancada no banheiro... Com um copo quebrado... O que mais eu poderia querer?
O mais eu poderia desejar? Não andaria por corredores, eu cortaria meus calcanhares, e depois, os nervos dos meus dedos.
Uma outra voz, dizia para eu continuar, meu sorriso melancólico, abrir-se-ia apenas para ela. Meu doce sangue, só se escorreria por ela.Doce voz da solidão.
Que dizia que a morte era o melhor caminho.
Eu fumaria, eu beberia, eu tomaria remédios. Eu viajaria a outra dimensão. Mas eu não poderia gritar. Eu não poderia dormir. Eu não conseguiria ser mais uma cópia do passado.
Eu não poderia sorrir, chorando internamente... Poderia?
Uma doce graça revelada. Uma flor, que fica nua ao ser queimada. Minha mão dolorida, por ter sido torturada. Minha pobre, podre alma, sendo atormentada. E quanto aos vampiros, meus doces heróis imaginários. Que matavam sua cede de sangue, que me devam prazer na dor.
Eu respirava, a corda envolvia meu pescoço. Suicídio mental. O que eu seria sem esse banheiro, um copo quebrado, caneta, caderno, a chave do cadeado. Sabe, aquele que prende minha alma, numa jarra de cera fervente.
Meu amor não é o bastante.
Minha alma não existe.
Eu nunca fui digna de amar. Nem ele, nem a lua. Como, ou por que eu seria capaz de amar?
Por que eu seria digna?
Minha dor me consome. Meu erro foi ter nascido, minha única, rara e amável paixão, é a tristeza.
A única salvadora, aquela que acolhe debaixo de sua sombra fresca os que nascem para morrer. Por que...
Batem na porta... Eles me acolhem...
Mas até agora...
Minha única e rara salvadora...
Eu penso...
É a morte.
MARU
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